sexta-feira, 1 de junho de 2012

Lugares perdidos...




Eu queria poder escorregar de novo por aquela passagem secreta...
Encontrar outra vez, aquela biblioteca repleta de livros, dos mais incríveis que jamais poderiam existir...
Queria me esconder lá para todo o sempre! Um lugar onde ninguém poderia me encontrar...
Mas faz algum tempo já, que as portas para aquele mundo se fecharam para mim.
Não sei porque, certas portas devem ser fechadas...
Agora restam apenas lembranças, e só nelas que aquela biblioteca vai subsistir...
Quem sabe nelas eu consiga me esconder...

domingo, 20 de maio de 2012

Destino...


"Destino cheira a bibliotecas empoeiradas à noite. Ele não deixa pegadas. Ele não projeta sombras."
 (Neil Gaiman - Sandman)


Aquele Cara do Livro, cujo rosto desconhecemos.
Ele parece caminhar tão devagar, mas é pura ilusão!

Tem os que acreditam estar nas palmas de nossas mãos...
Mas tente alcançá-Lo e Ele escorrega por entre os dedos, como as areias de Seu irmão.

Outros pensam conhecê-Lo, pura enganação!
Seu rosto e escritos são a loucura para olhos mortais, e mesmo os imortais tremem perto Dele.

Seus segredos mutantes estão bem guardados.
O futuro é Seu de de ninguém mais!

Os que pensam ter um vislumbre Seu, 
é porque não viram o sorriso sádico, 
que brota em Seu rosto desconhecido, 
quando brinca com o futuro alheio.

Se o pobre pai de Édipo soubesse...
não teria dado ouvidos ao Oráculo,
não teria morrido pelas mãos do filho desconhecido,
ignorante de seu destino...

Mas como todo o ser neste e em outros mundos...
Persigo-O! 
Sem poder vÊ-Lo, sem saber para onde vai - ou para onde vamos...
Sigo o Seu cheiro e brinco em Seu jardim, mesmo sem vê-lo!

sábado, 12 de maio de 2012

Verdade!


Não gosto da Verdade...

Aquela intransponível muralha, mais alta que os céus, e que desce até os níveis mais inferiores da terra.

Não me agrada por ser feita de blocos maciços, espessos e opacos; pois assim, não se pode ver todas as maravilhas que existem para além dela...

Acho inconveniente também o seu formato, circular, que aprisiona como se fosse uma gaiola, e sufoca por seu espaço ser restrito.

Enfim, não gosto da Verdade...

Mas acho que se ela existe é por algum motivo...para dar uma razão de ser à marreta e outros instrumentos afins!E com minhas dúvidas vou martelando esta muralha, para enxergar além e poder respirar...mesmo enquanto permanecer enjaulada...

domingo, 6 de maio de 2012

olhando além...


Através do véu
eu sonhei ver,
aquele outro mundo,
em que poderia renascer.

Através do tempo
pensei que iria encontrar,
toda aquela gente,
que eu poderia amar.

Através da noite
que pude ouvir,
os ecos distantes
dos que vi partir.

E por fim...
o véu se desfaz,
o tempo se parte,
e a noite se prolonga...

domingo, 29 de abril de 2012

Em preto e branco...


A vida desbotou...
em algum momento,
por algum motivo talvez...
ou talvez não.

Eram as lágrimas que caiam
que levavam
uma a uma as cores, que desbotavam
aos olhos que não mais as viam...

e o mundo colorido sumiu...
restando aqueles dias cinzentos,
de chuvas constantes,
tempestades e ventos...

domingo, 22 de abril de 2012

Versos indignos


Spleen?
Tragam charutos para o poeta,
que a juventude perpetuou...
E tragam vinho para encher o crânio do poeta,
que pela Grécia lutou...


E todos os outros que passaram,
que suas palavras deixaram...


Todos aqueles por quem nunca chorei,
pois já eram eternos quando os conheci...
Todos aqueles por quem me apaixonei,
pois em suas glórias eu os vi...


É com eles que aprendi
a ver a beleza,
onde parecia não existir...
Agora até mesmo na tristeza
posso a sentir...


Tantos anos transcorreram,
e a lira continua a ressoar...
Tantas coisas aconteceram,
e o sol dos insones continua a brilhar...


Tantas almas errantes que passaram,
que seus poemas deixaram...


Em algum momento pararam em mim...
Minh'alma conseguiram despir,
e continuei a caminhar assim...
pois deles não pude me despedir.

domingo, 25 de março de 2012

Perséfone


Pelos campos passeava,
a Donzela flores a colher.
Alegria emanava,
plantas fazia nascer.

Os dias passavam,
logo era tempo de colher.
Nas Festas se fartavam,
da Abundância que Ela fazia nascer.

Mas a Donzela,
olhares sombrios cativou,
que sem muita cautela
para seu lar nas profundezas A levou.

Tempos difíceis se aproximavam,
pois a alegria Dela os acompanhou.
Das colheitas guardavam
tudo o que restou.

Todos agradeciam
pela fartura que Ela proporcionou.
Tempos difíceis viriam,
mas Ela sempre retornou.